Carro zero e previdência não retêm apenas talentos. Eles também são moeda de troca entre chefe e subordinados
Os olhos de muita gente brilham quando a empresa anuncia o pacote de benefcios. São vantagens que vão desde plano de saúde a carro zero quilômetro. Além de representarem um ganho indireto, essas vantagens também conferem status dentro e fora da empresa. "Ninguém admite, mas receber beneficios faz bem para o ego", afirma Claudio Silveira, diretor da Quorum Brasil, que entrevistou 100 executivos brasileiros sobre seus pacotes de remuneração. Ele percebeu, ao analisar o estudo, que, dependendo da cultura organizacional, chefe e subordinados podem fazer mau uso do sistema. Ou seja, calcar a relação apenas na barganha dessas vantagens, sem criar vínculos verdadeiros em relação ao trabalho.
Outra ameaça aqui é deixar que um beneficio especial, como um plano de previdência parrudo, suba à cabeça do executivo. Ele pode cantar vantagens sobre os colegas e prejudicar o clima no trabalho. Todos esses males podem e devem ser resolvidos pelos chefes. Eles têm de evitar grandes disparidades nos pacotes oferecidos a profissionais em cargos semelhantes. Para isso, cada gestor de pessoas deve trabalhar com o RH para corrigir os problemas e ajudar na comunicação da política de concessão dos benefícios. "Sem isso, há risco de o benefício virar sinônimo de poder e ser usado para impulsionar relacionamentos e negociações internas", diz Willian Bull, consultor sênior da área de capital da RH Mercer, de São Paulo.
É fácil perceber que o pulo-do-gato nessa história nada mais é do que atender às expectativas de cada um dos profissionais.
"O segredo não é oferecer muito, mas oferecer o necessário" diz Amaury Cruz, diretor de desenvolvimento de novos negócios da Hewitt, consultoria de RH de São Paulo. "Há empresas gastando fortunas com práticas que não são aproveitadas pelos funcionários" Uma maneira moderna de resolver isso é a adoção dos beneficios flexíveis. A SAP, multinacional alemã especializada em softwares de gestão empresarial, já conta com esse sistema há quase três anos.
BENEFÍCIO SOB MEDIDA
A lógica é simples na SAP. O funcionário pode escolher entre uma série de beneficios predeterminados, como cursos de idiomas ou ginástica, que depois serão reembolsados pela companhia. Se não usufruir dessas vantagens até o final de um ano, o dinheiro é depositado em uma conta de previdência complementar. O engenheiro eletrônico Theron Penha Macedo, arquiteto de novos produtos, de 34 anos, está na SAP há dez e adapta o valor financeiro que recebe da empresa às suas necessidades.
Como não tem filhos, Theron usa a quantia destinada à creche para financiar um curso de espanhol e, em breve, pretende estudar inglês e mandarim. A verba também serve para arcar com a academia, massagista,sessões de Pilates e nutricionista. "O valor do meu passe no mercado aumentou após ter direito ao pacote flexível de beneficios , diz. "Com as facilidades que disponho é muito difícil uma empresa me tirar daqui." Atitude de quem entende a verdadeira finalidade dos benefícios nas relacões de trabalho.
Veículo: Você S/A
Data: 14/06/2007
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