Lucro da SAP registra alta de 29% no trimestre
As ações da SAP, maior fabricante mundial de softwares gerenciais, sofreram outro golpe ontem, depois de a companhia ter alertado que sua margem cie lucro operacional deste ano diminuirá e ter deixado, pela primeira vez, de traçar uma meta de crescimento para as vendas de licenças de programas.
A companhia anunciou um aumento cie 29% no lucro líquido cio quarto trimestre de 2006. Segundo a SAP, sua lucratividade deverá cpor conta de um investimento cair de E 400 milhões de euros nos próximos dois anos, para aprimorar seus negócios. Entre outubro e dezembro, a companhia registrou lucro de E 799 milhões, contra E 619 milhões registrados em igual período de 2005. As vendas de software cresceram 7%, chegando a 1,26 bilhão no período. Por região, houve aumento de 13% nas vendas na Europa e no Oriente Médio. Já nas Américas as vendas ficaram estáveis e subiram apenas 2% na região Ásia-Pacífico.
Desde o Começo do ano, o valor de mercado da empresa alemã caiu 15%, em meio aos receios dos investidores de que seus dias de crescimento estelar poderiam estar chegando ao fim. Ontem, as ações da companhia fecharam em baixa de 6,37%, cotadas a E36. No mês, o papel registra uma desvalorização de 10,8% e no acumulado dos últimos 12 meses as ações da SAP apresentam uma desvalorização de 1,97%.
A SAP anunciou o lançamento de um novo produto, voltado a médias companhias, no fim de março do ano passado, que poderia mudar significativamente a forma como essas empresas compram.e mantêm seus sistemas de computação. A companhia tenta ampliar sua base tradicional de clientes, essencialmente formada por grandes empresas, e atingir também as pequenas e médias.
O lançamento do produto, pelo qual a SAP poderá armazenar em seus computadores os programas gerenciais dos clientes, será acompanhado de novos serviçoS de assinatura, paralelos ao trabalho tradicional de venda de licenças de programas.
Nos últimos anos, a SAP e sua rival Oracle, dos Estados Unidos, começaram a concorrer com os fornecedores de programas para empresas médias, como a Microsoft, em meio ao receio de que o apetite dos grandes grupos possa começar a arrefecer.
O executivo-chefe da SAP, Hanning Kagermann, afirmou ontem que o novo modelo "reformulará a forma corno as companhias de médio porte compram, adotam e financiam softwares" e trará 10 mil clientes adicionais e € 1 bilhão em vendas a partir de 2010.
Embora concorrentes como Sage e Salesforce.Com já ofereçam pacotes "sob encomenda" a partir da internet para companhias de médio porte, Kagermann afirmou que a SAP será a primeira a vender uma linha completa de programas gerenciais. Isso significa que as companhias pequenas terão de pagar uma tarifa para manter e atualizar dados e aplicativos mantidos nos computadores da SAP.
"Acredito que a SAP está gastando todo esse dinheiro para entrar no mercado médio e o fato de estar fazendo o de forma tão avançada tecnologicamente irá sacudir o mercado", disse Julian Yates, da Investec. Os concorrentes teriam de estudar abordagens similares. Alguns acionistas, no entanto, pareciam descontentes com o fato de o investimento afetar as margens de lucro da companhia neste ano em 1 ou 2 pontos percentuais, para algo entre 26% e 27%, abaixo da meta anterior da companhia, de ter um retorno sobre as vencias de 30%.
Veículo: Valor Econômico
Data: 25/01/2007
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