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ERP rima com SMB.


Pequeno empresário, você pode estar sendo ultrapassado. Controlar os negócios no papel, em planilhas do Excel esparsas ou com softwares antigos e capengas ainda é prática comum no Brasil, mas quem busca ganhos de produtividade está pensando como grande empresa e adotando os chamados sistemas de Enterprise Resource Planning (ERP). Como resposta, esses sistemas deixaram de ser enormes elefantes brancos. Os principais fabricantes ajustaram suas soluções aos pequenos e médios negócios e já é possível entrar no mundo do ERP com investimentos da ordem de 20 mil reais.

"Entre as grandes empresas, ERP tornou-se lugar comum", afirma Bruno Rossi, gerente de análises de software do IDC. "Entre as pequenas e médias, no entanto, há muitas companhias que não têm nada e ainda é grande o uso de soluções pontuais, desenvolvidas sob encomenda, que atendem apenas parte das necessidades". Por essas razões, há um mercado potencial expressivo para quem busca atingir os pequenos e médios empreendimentos, e a oferta de soluções já é maior, incluindo opções de gigantes do software, como Microsoft e SAP, e de fornecedores nacionais.

A procura por ERP aumentou porque as empresas buscam cada vez mais formas de ganhar competitividade. "As pequenas e médias são muito carentes de soluções integradas de gestão e os gestores perceberam isso e começaram a ir atrás. Atualmente, é uma condição de sobrevivência", diz Wilson Godoy, vice-presidente de tecnologia do Grupo TOTVS, controlador da Microsiga. Godoy não vê segredo na decisão de adotar ou não um ERP. Segundo ele, no momento em que o gestor percebe que a informação que está em sua cabeça não é mais verdade do ponto de vista global do negócio, é hora de investir em um ERP. "Acima de três usuários já cabe um controle mais integrado. A partir desse ponto vale sair do controle em Excel, que é cada um por si e Deus por todos".

Freqüentemente, o primeiro alerta soa no setor financeiro. "O cenário comum nas pequenas empresas é o de dificuldade na montagem do fluxo de caixa. Os problemas surgem também na gestão do estoque e na parte de compras", revela Eduardo Couto, diretor de vendas e mercados verticais da RM Sistemas. O executivo lembra que, segundo o Sebrae, 90% das empresas brasileiras que quebram, o fazem por problemas na administração, não por falta de mercado. "É impressionante o que as empresas fazem. Tem companhia que controla linha de produção no Excel sem integração nenhuma das informações. É um trabalho enorme de digitação e re-digitação. Quem quer aumentar a rentabilidade precisa de uma solução integrada", diz.

Até a Microsoft reconhece que controlar negócios em planilhas estanques é um risco. "Quando crescem, as empresas passam a ter dores de crescimento que são normais. Um sistema integrado ajuda a diminuir essas dores. Passar do Excel para uma solução integrada ajuda a ter maior controle", diz Rodrigo Munhoz, gerente geral da divisão Business Solutions da Microsoft Brasil.

Embora já ofereça duas soluções (Navision e Solomon, de duas empresas que comprou nos últimos anos), a Microsoft fará o lançamento do Axapta, uma terceira plataforma de ERP, no final de março. Posteriormente, a empresa de Bill Gates consolidará seus produtos sob a família Microsoft Dynamics, promoverá a convergência entre eles e, com o lançamento do novo Office, previsto para o final deste ano, buscará ter o Excel, o Word e o PowerPoint na linha de frente dos desktops, funcionando com alta integração com seus sistemas de gestão no backoffice. "A Microsoft atende a milhões de usuários em empresas do mundo todo. Queremos elevar essa produtividade individual para as empresas, aumentando o benefício gerado", afirma Munhoz.

PEDRAS NO CAMINHO Os softwares integrados de gestão podem incluir controles financeiros, de estoque, contabilidade, folha de pagamento, faturamento, logística, compras e ainda soluções específicas para determinados segmentos. "A escolha da solução tem muito menos a ver com o porte da empresa do que com o número de transações. Quando você sistematiza, passa a depender menos das pessoas e mais dos processos. Por exigir uma mínima formalização, o sistema ajuda a colocar ordem na casa", diz Godoy, da Microsiga. "Uma boa dica é começar pela área que vai gerar resultados a curto prazo. Assim, a nova cultura ganha credibilidade", recomenda.

De fato, conquistar a equipe e fazer a empresa funcionar de forma padronizada são os principais desafios de quem resolve adotar um ERP. "O mais difícil é a implementação", diz Couto, da RM. "A maioria das empresas não tem processos definidos. Ao adotar o ERP, buscam também uma consultoria de processos".

Sob esse aspecto, as pequenas e médias empresas tornam-se semelhantes às grandes e, embora em escala menor de complexidade, passam a ter exigências e objetivos parecidos. "Os possíveis entraves não são específicos das pequenas, mas de todo mundo. Uma pesquisa mundial com grandes corporações mostrou que as maiores dificuldades são falta de apoio da alta gerência, problemas no gerenciamento da mudança e treinamento insuficiente", afirma José Ruy Antunes, presidente da SAP, companhia que trouxe sua solução para pequenas e médias, o Business One, ao Brasil em novembro. "Buscamos oferecer o mesmo nível de soluções de negócios e a mesma cultura de gestão que oferecemos para as grandes". Em quatro anos, a expectativa da SAP Brasil é que 25% da sua receita com licenças venham do segmento dos pequenos e médios empreendimentos.


Veículo: PC World
Data: 18/01/2006

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